O Sul e o Baixo Sul da Bahia não decidem eleições sozinhos, mas sinalizam com clareza para onde vai a política estadual.
Por Leonardo Mascarenhas
O Sul e o Baixo Sul da Bahia não decidem eleições sozinhos, mas sinalizam com clareza para onde vai a política estadual. E o que essas regiões mostram hoje é algo interessante: quanto mais críticas recebe, mais Jerônimo Rodrigues cresce politicamente. É como massa de pão, quanto mais se bate, mais ele cresce.
As críticas à sua gestão existem e são duras. Saúde, educação e segurança pública seguem como pontos frágeis e constantemente questionados. Porém, a contradição está justamente aí: em vez de enfraquecê-lo, esses ataques parecem alimentá-lo. Ele cresce na política como a massa de pão cresce ao ser sovada. A cada pancada, em vez de diminuir, ele aumenta de tamanho no tabuleiro político.
Um exemplo claro dessa força está na reunião recente com a bancada estadual do PSD. O partido já integra a base, mas agora se consolida como peça-chave, podendo assumir ainda mais secretarias no governo. A presença do senador Otto Alencar e dos deputados estaduais na reunião simboliza essa confiança. O PSD não é mais apenas aliado: é parte orgânica da engrenagem de sustentação do governo, e Jerônimo sinaliza que dará ainda mais espaço aos seus quadros.
Essa consolidação vem acompanhada de mudanças no secretariado. Em agosto, Rodrigo Pimentel assumiu a Secretaria da Administração no lugar de Edelvino Góes, e Marcius Gomes passou a comandar a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em substituição a André Joazeiro. Órgãos importantes como CTB, Detran, Suprev, Inema e IAT também tiveram novas nomeações. São ajustes que mostram que Jerônimo não espera 2026 para se reorganizar: ele já trabalha, desde agora, para dar fôlego administrativo e político à sua gestão.
Enquanto Jerônimo se move, ACM Neto perde terreno. Em 2022, cidades como Itabuna e Coaraci eram redutos importantes para a oposição. Hoje, prefeitos dessas regiões migraram para o grupo do governador. O prefeito de Itabuna, Augusto Castro, chegou a declarar que “Jerônimo tem força para se reeleger e a oposição liderada por ACM Neto está fragilizada”. Essa fala é um retrato fiel do sentimento político no Sul da Bahia.
Prefeitos de cidades menores também seguem o mesmo caminho. Em Coaraci, o prefeito Miltinho do Axé, que já foi ligado à oposição, hoje se alinha ao governo estadual. Em municípios do Baixo Sul, como Valença e Taperoá, lideranças locais manifestam apoio ao governador, reforçando que o interior tem sido trabalhado com proximidade.
É aí que mora a diferença. Jerônimo pode ser criticado como gestor, mas politicamente dá um banho em ACM Neto. Cumpre acordos, valoriza prefeitos, ouve vereadores. É um político de palanque, de conversa direta, simpático e presente. E o eleitor percebe isso. A pergunta que fica é: como enfraquecer um político que, mesmo criticado, só cresce?
E você, leitor, também pode refletir: quem garante uma eleição, os grandes centros urbanos ou a soma de centenas de pequenas cidades? A política baiana ensina que é no interior que se constrói a vitória. O Sul e o Baixo Sul são o reflexo mais nítido dessa realidade.
Enquanto Jerônimo transforma críticas em combustível político, ACM Neto enfrenta rumores de desistência, perde prefeitos e vê sua base encolher. O Sul e o Baixo Sul mostram esse contraste de forma cristalina: de um lado, um governador que, mesmo questionado na gestão, cresce como massa de pão; de outro, um opositor que, mesmo com currículo de gestor eficiente, perde força onde mais precisava se firmar.
É importante ressaltar: esta é uma análise fria, política e independente. Não é defesa de governo nem de oposição. Nosso olhar é para os fatos, para os movimentos e para os sinais que se projetam. E o que os sinais do Sul e Baixo Sul mostram é que, mesmo diante de críticas duras à sua administração, Jerônimo se fortalece como liderança política, enquanto ACM Neto parece perder fôlego a cada dia.
Se esse movimento continuar, 2026 terá menos ares de disputa e mais de confirmação.
Vivendo e Respirando Direito e Política há mais de 21 anos
Leonardo Mascarenhas











