O Brasil vive um aumento preocupante nos casos de meningite meningocócica, doença grave que pode causar sequelas permanentes e até a morte. De acordo com o Ministério da Saúde, entre 2023 e 2024 foram registrados 1.551 casos e 333 óbitos. Em 2025, até setembro, já são 696 casos e 131 mortes, o que representa um crescimento na média mensal de notificações.
O alerta ganha ainda mais destaque após o Dia Mundial de Combate à Meningite, celebrado em 5 de outubro, que tem como objetivo conscientizar a população sobre a gravidade da doença e a importância da imunização.
Prevenção pela vacinação
A vacinação é a principal forma de prevenção contra a meningite meningocócica. No Brasil, o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferece gratuitamente vacinas que protegem contra quatro sorogrupos da bactéria Neisseria meningitidis: A, C, W e Y.
A vacina meningocócica C é aplicada em crianças aos 3 e 5 meses de idade, com reforço aos 12 meses. Já a vacina ACWY é indicada para adolescentes entre 11 e 14 anos, podendo ser aplicada como dose única ou de reforço.
Na rede privada, há vacinas que também incluem o sorogrupo B, responsável por boa parte dos casos no país. Sociedades médicas recomendam a imunização com as vacinas meningocócicas B e ACWY aos 3, 5 e 12 meses de idade, além de duas doses para adolescentes não vacinados.
Quem está em risco?
Todos podem contrair a doença, mas os bebês com menos de um ano são os mais vulneráveis. Adolescentes e jovens adultos também estão entre os grupos de maior risco.
Até 23% dos jovens podem carregar a bactéria sem apresentar sintomas, tornando-se transmissores assintomáticos.
Sintomas e importância do diagnóstico precoce
A meningite é uma inflamação das meninges — as membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Os primeiros sintomas, como febre, dor de cabeça, náusea, rigidez no pescoço e irritabilidade, podem ser confundidos com uma gripe comum, o que atrasa o diagnóstico.
Porém, a doença evolui rapidamente e pode causar sequelas neurológicas permanentes em até 20% dos sobreviventes, como perda auditiva, convulsões e dificuldades cognitivas.
Outras vacinas disponíveis
Além das meningocócicas, há vacinas contra outras formas de meningite bacteriana, como a pneumocócica e a Haemophilus influenzae tipo b, disponíveis nas redes pública e privada.
Conscientização salva vidas
Especialistas e entidades de saúde reforçam que manter a caderneta de vacinação atualizada é a forma mais eficaz de prevenir surtos e salvar vidas. O aumento dos casos serve de alerta para que pais, responsáveis e adolescentes procurem os postos de saúde e garantam a imunização completa.











