Um estudo publicado na revista científica BMJ trouxe novos dados que reforçam o impacto da atuação de médicos de família na Atenção Primária à Saúde (APS). A pesquisa analisou mais de 600 mil internações registradas em Belo Horizonte entre 2017 e 2021 e concluiu que equipes com profissionais qualificados em Medicina de Família e Comunidade (MFC) conseguem reduzir de forma significativa o número de internações hospitalares consideradas evitáveis.
Queda de quase 12% nas internações evitáveis
O estudo aponta que o aumento da carga horária de médicos de família nas unidades básicas está associado a uma redução geral de 11,89% nas internações por condições que deveriam ser tratadas primariamente na rede básica — como diabetes, hipertensão, asma, infecções respiratórias e pneumonias.
Além disso, algumas doenças específicas apresentaram reduções ainda maiores. Nas áreas onde havia maior cobertura desses profissionais, as internações por diabetes caíram aproximadamente 32,8%, demonstrando o impacto direto do acompanhamento contínuo e preventivo.
Economia para o sistema público de saúde
Além de evitar hospitalizações, a presença de médicos de família também está associada à redução de custos operacionais no Sistema Único de Saúde (SUS). Como internações evitáveis têm alto custo para hospitais públicos, o fortalecimento da APS representa economia direta para o orçamento de saúde, permitindo que recursos sejam direcionados a casos mais complexos.
A importância da Atenção Primária
A pesquisa reforça uma tendência já observada internacionalmente: sistemas de saúde que investem em prevenção e acompanhamento contínuo têm melhores indicadores de saúde e menor pressão sobre hospitais.
Com foco no cuidado integrado, os médicos de família desempenham papel fundamental no diagnóstico precoce, controle de doenças crônicas e acompanhamento de populações vulneráveis — evitando agravamentos e a necessidade de internação.
Reforço nas políticas de saúde
Os resultados devem influenciar a formulação de políticas públicas que priorizem a ampliação e valorização das equipes de Saúde da Família, além de incentivar a formação de mais médicos especialistas na área.
A pesquisa traz mais evidências de que fortalecer a Atenção Primária é um dos caminhos mais eficazes para melhorar os resultados de saúde da população e reduzir os custos do SUS.











